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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

EDUCAÇÃO POPULAR E MOVIMENTOS SOCIAIS

AS CONQUISTAS E DESAFIOS DA EDUCAÇÃO POPULAR E SUAS INTERFACES COM OS MOVIMENTOS SOCIAIS.

SILVA, Rony Petterson da1 – UNIPLAC – ronypettersonsilva@gmail.com


Resumo: A lutas dos Movimentos Sociais em busca da efetivação da cidadania, tem causado no Brasil, especialmente a partir da década de 80 (século XX) uma nova ordem de resistências , denúncias e conquistas de direitos aos cidadãos oprimidos em todo o Brasil. A problemática central esta na opressão causada pelo sistema capitalista que, exclui os trabalhadores do campo e da cidade submetendo-os à condições desumanas de vida. Nesse sentido este artigo tem a intenção de relatar e promover reflexões acerca da educação popular e suas interfaces com os Movimentos Sociais tendo com cenário o território da Serra Catarinense. Considerando sobretudo o papel estratégico da educação popular para que as populações excluídas do processo político, econômico, social e cultural possam ter acesso a formação e que possam ser inseridas na agenda oficial dos governos, comprometendo-os com a execução dos direitos civis, políticos e sociais da cidadania brasileira.

Abstract: The struggles of Social Movements in search of making the citizenship, has caused in Brazil, especially from the 80s (century) a new order of resistance, complaints and achievements of rights to oppressed people throughout Brazil. The central issue in this oppression caused by the capitalist system that excludes workers in the camp and the city by subjecting them to inhumane conditions of life. In that sense this article is intended to report and promote reflection on the popular education and interfaces with the Social Movements taking scenario with the territory of Serra Catarinense.

Palavras-chave: educação popular, movimentos sociais, cidadania, território
Keyword: popular education, social movements, collective actions, territory


1.Introdução...
“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.
Paulo Freire

Os modelos capitalistas continuam a superar-se apesar das suas contradições, porém um olhar crítico ao sistema vigente poderá proporcionar não um retorno, algo impossível de acontecer, mas, refletir sobre as causas e conseqüências do modelo vigente. A citação a seguir pode nos remeter a essa visão, a projeção para um futuro mais humanizador.

Nas comunidades primitivas a educação (...) os homens apropriavam-se coletivamente dos meios de produção da existência e nesse processo educavam-se e educavam as novas gerações. Prevalecia, ai, o modo de produção comunal, também chamado de “comunismo primitivo”. Não havia a divisão em classes. Tudo era feito em comum. Na unidade aglutinadora da tribo dava-se a apropriação coletiva da terra, constituindo a propriedade tribal na qual os homens produziam sua existência em comum e se educavam nesse mesmo processo. Nessas condições, a educação identificava-se com a vida. A expressão “educação é vida”, e não preparação para a vida, reivindicada muitos séculos mais tarde, já na nossa época, era, nessas origens remotas, verdadeira prática. (Saviani, 2007, p. 154-155)

A educação pode e é utilizada por vários seguimentos da sociedade, cada um com seus interesses e objetivos. Vivemos atualmente no Brasil um momento dito democrático. Democrático sim, porém, representativo. Representado em sua maioria pelas elites, as classes dominantes da sociedade. (as classes empresariais, banqueiros e industriais). Onde a atuação da população excluída da detenção dos meios de produção, esta ligada pura e simplesmente ao voto. O que não assegura a sua representatividade diante das decisões políticas no congresso. A necessidade de uma sociedade democrática e participativa desde muito longe se faz necessário para o desenvolvimento integrado de uma nação.
A educação voltada para o popular contribuirá ainda mais para o desenvolvimento da coletividade e da conquista efetiva da cidadania, “nos países em que a cidadania se desenvolveu com mais rapidez, inclusive na Inglaterra, por uma razão ou outra a educação popular foi introduzida” (Carvalho, 2005, p. 11). Nesse sentido este artigo tem a intenção de estimular e promover a reflexão sobre a educação popular. Considerar a educação popular importante e prioritária para que as populações excluídas do processo político, econômico, social e cultural possam ser inseridas na agenda oficial dos governos, comprometendo-os com a execução dos direitos civis, políticos e sociais da cidadania brasileira. Paulo Freire nos anos 60 conseguiu desenvolver e ampliar a alfabetização no nordeste brasileiro, ocasionando uma mudança de paradigma na educação nacional.
O período do golpe militar de 1964 interrompeu a continuidade do trabalho e seu aperfeiçoamento. Entretanto mostrou que é possível alterar a situação educacional. Se seguirmos os conselhos de Comenius a pansofia “onde é possível ensinar tudo a todos ”2 a inclusão da educação popular pode ser uma das possibilidades e não apenas nos limitarmos ao ensino da classe dominante, porque a educação vai além da técnica, da preparação para o vestibular, “educação é ler o mundo, é refletir o mundo e transformá-lo(FREIRE,2004) .
Rousseau nos remete a perceber sobre a função social da educação “a educação não somente mudaria as pessoas particulares, mas também a toda a sociedade, pois se trata de educar o cidadão para que ele ajude a forjar uma nova sociedade ”3, ou seja, participativa. E educação popular aqui expressa não quer dizer “educação da classe pobre, mas que todas as classes da nação, que é o mesmo que o povo, sejam bem educadas”. (Streck, 2006, p. 274). Currículos escolares adequados a cada situação de localidade diferenciada, educação pública de todos, para todos. De acordo com a professora Nadja Hermann, podemos refletir muito sobre a atualidade da educação: –“Temos que inventar caminhos para a educação, escola não é para todos desde Platão.” 4.

2. AÇÃO e REFLEXÃO: “ A Educação Popular se faz ao caminhar...”

20ª ROMARIA DA TERRA E DA ÁGUA 09/09/07. CORREIA PINTO – SANTA CATARINA

Domingo de sol e céu azul celeste. Foi assim que se iniciou a manhã de domingo dia 09 de setembro de 2007. Havia certa expectativa sobre o evento, expectativa que foi superada pela companhia das pessoas as quais me deram carona para chegar até o assentamento do MST, próximo a Correia Pinto. Pessoas que compartilhavam de uma esperança semelhante a qual sempre acreditei desde menino. Conversávamos sobre a conquista do MST na região da serra catarinense. Uma região tomada pela força do coronelismo, da tradição política e econômica das famílias oligárquicas, dos latifundiários.
Quando chegamos à entrada do assentamento avistamos pessoas ao longo da estrada agitando bandeiras vermelhas (MST), bandeiras verdes (Via campesina), bandeiras brancas com slogans da Pastoral da juventude (PJ). Uma alegria grande veio do meu interior, não pude controlar. Sorria por dentro, uma sensação de vitória, de conquista, vislumbravam os meus olhos e meus pensamentos relembravam frases de Marx, Lênin, Paulo Freire, Che entre outros. A esperança que cultivávamos agora se concretizara.
De longe avistei uma multidão que se aglomerava em torno de um caminhão de som, meu desejo era correr até aquele local e pular, abraçar todas aquelas pessoas, rir sem parar. Porém estávamos longe do local e a fila de carros e ônibus era muito longa. Precisava conter os meus ânimos. Afinal era a minha primeira vez em um assentamento, estava de carona com pessoas que pouco as conhecia, mas, falávamos de assuntos tão próximos que parecia nos conhecermos a muito tempo. Contive-me.
Paramos a mais ou menos um quilômetro do local central, onde estavam as barracas das entidades participantes e do palco montado para as falas, músicas e apresentações do povo ali presente. Descemos e fomos caminhando junto com aquela multidão. Havia um palco montado em cima de um caminhão onde estava sendo encenado um teatro que contava como o ser humano destrói a natureza da qual ele se serve. Aquela multidão ali parada assistindo, concentrada nas palavras que os atores proferiam.
Eu olhava aquela multidão vislumbrado. Crianças, jovens, adultos e velhos acompanhavam a caminhada lentamente. Cantando canções populares, próprias de um povo que valoriza a terra a água, os animais. (arrepios). Carregando bandeiras, sacolas, panelas, máquinas fotográficas, criancinhas de colo. Muitas delas usavam estava de chinelo de dedo, sapatos, botas. Alguns estavam de chapéus, bonés, lenços com os símbolos da sua esperança. Camisetas de líderes revolucionários como Marx, Che, partidos políticos de esquerda de movimentos sociais MST, PJ, Cáritas, indígenas. Suas roupas eram simples como suas próprias vidas. Seus rostos marcados pelo tempo e pelo sol demonstravam a força e a coragem da resistência e da luta por seus direitos. Direitos estes usurpados pelo capitalismo selvagem e a força dos latifundiários locais.
Quando chegamos próximos das barracas, descarregamos nossas “tralhas” ai então sai mundo a fora. Queria estar em todas as barracas ao mesmo tempo, era impossível, ai então decide ir uma por uma. Queria ver as camisetas, as fotos, os livros, as falas daquelas pessoas que ali estavam. Às vezes ficava sem jeito para chegar e conversar com aquelas pessoas que ainda não tinha tido contato algum. Ficava olhando para elas, quando me percebiam vinham me perguntar se eu queria alguma coisa e assim tinha a possibilidade de algum diálogo.
A barraca do povo indígena foi uma das que eu mais fui, mas não consegui conversar com eles, não sabia ao certo o que falar. Conversei como uma pessoa, mas foi sobre a compra de uma camiseta os indígenas ficavam ali sentados conversando entre si. Eu apenas os observava. Fiquei olhando uma moça que trocava um bebe, ela era tão carinhosa com ele, beijava-o e conversava com ele. Tinha também uma senhora sentada ali de cócoras, ficou durante muito tempo ali naquela posição observando as pessoas. Ela tinha um lenço na cabeça, estatura baixa, pele escura e já castigada pelo tempo.
A barraca do MST tinha diversas espécies de sementes, e eles até distribuíram no final do evento. Livros sobre a reforma agrária, o imperialismo estadunidense, a barbárie do capitalismo e sobre o socialismo também. Havia algumas fotos do Sebastião Salgado retratando os detalhes dos pés de dois camponeses, da tomada de um assentamento todas em preto e branco, imagens fortes, que mostram a força e a coragem de um povo que sabe o que quer, e o que precisa.
Na parte superior do local onde estávamos havia uma escola de madeira. Vi a lousa na parede, carteiras e mesas e fiquei imaginando como seriam as aulas ali naquele local. Imaginando os educando os educadores, suas falas, seus gestos. Por alguns momentos me imaginei ali junto deles, fazendo parte daquele assentamento, mas o futuro é como diriam os gregos localizado na parte de trás, nas costas é impossível vê-lo. Podemos imaginá-lo, mas nem sempre o que imaginamos é o que realmente acontece. Mas o mais importante é que acredito, no socialismo, na luta dos movimentos sociais e na busca de um mundo mais humano, e por isto, faço a parcela que me é possível, às vezes até impossível.
Lá, me senti mais forte naquilo que acredito, percebi que o meu sonho é compartilhado por muitas outras pessoas, e que não estou sonhando sozinho. A utopia, a ideologia, ali esta presente em muitas outras pessoas. Cada uma de seu modo, uns com mais teoria outros com mais prática, outros que conseguiram aliar a prática e a teoria. Conversei com um cidadão de 87 anos com uma memória formidável, seu Molina. Contou-me a história da independência do Brasil e como dom Pedro I e suas amantes transformaram um fato num acontecimento histórico que segue até os dias atuais. Falou sobre a princesa Isabel e a falta de atenção para com os negros após a escravatura. A questão da terra no Brasil e seus latifúndios e terminamos no golpe de 64 onde ele foi deposto do seu cargo de sargento por ser contra aquele abuso inconstitucional. Sua trajetória de vida, a morte de sua mãe e muito mais. Seu jeitão durão do início, com palavreados carregados de gauchismo e sotaque, deixou de lado sem perder a pose é claro, abrindo sua vida a um estranho que apenas deu-lhe atenção, ouvindo e compartilhando suas memórias.
No meio da tarde um orador daqueles bem eloqüentes subiu ao palco e discursou sobre as vitórias e conquistas que os movimentos sociais, especialmente o MST. Algumas pessoas que estavam ali perto do local onde eu me encontrava encheram seus olhos de água, comovidos pelas conquistas e pelas vitórias alcançadas com muito suor, sangue e esperança. Eu as observava atentamente. Sabia de suas lutas as quais sempre ouvimos nas reuniões de grupos. Mas agora eu estava ali presente, vendo e ouvindo daqueles que perderam amigos, parentes e familiares na luta e na busca pela justiça, pela terra, por dignidade. Anos e anos de árduas, batalhas com os “donos” das terras, que diziam ser improdutivas, e assim poder plantar pinus ou pastagens para o gado. Enquanto pessoas se acumulam nas periferias das cidades, em baixo de pontes, em casas de zinco ou papelão. Sem ter o que comer, fazer. Sobrevivendo de esmolas, catando lixo, jogados na sarjeta, como refugo da mão-de-obra assalariada explorada pelo capital estrangeiro e nacional. O capitalismo produz desempregados para que possa exigir cada vez mais e mais do trabalhador a perfeição, sem falhas e sem erros, gerando lucros e mais lucros. Explorando o indivíduo, alienando-o do único bem que possui sua força de trabalho. Fazendo-o sentir-se culpado pela sua incapacidade de enriquecer, tornar-se próspero e usufruir dos bens materiais produzidos e consumidos pelos capitalistas.
Espero ir novamente à próxima romaria e em outros encontros para aprender e apreender mais sobre os movimentos sociais, suas conquistas, suas derrotas, seus equívocos e objetivos. Pois tenho como pano de fundo em minha caminhada por este mundo a educação. Educar ou educare do latim é por para fora aquilo que está dentro de você. Paulo Freire buscava humanizar o mundo, cidadãos com mais autonomia, com liberdade sem o jugo da dominação do opressor, Marx desejava que todos os trabalhadores do mundo se unissem e lutasse contra a exploração do capital, Lênin buscava o apoio do povo rural e urbano para livrarem-se das garras tiranas do czar e consolidou a revolução russa e a primeira tentativa de um país socialista no mundo. Che Guevara sonhava com uma América Latina sólida, forte, soberana com menos miséria e fora das garras do imperialismo estadunidense monopolizador da cultura, da economia, da política e da vida. Betinho queria um Brasil sem fome, Leonardo Boff uma América Latina livre do jugo e da opressão da religiosidade, entre outros e dentre outras buscas.
Qual será o seu desejo, o seu sonho, a sua utopia. Uma democracia representativa, a consolidação da educação popular, o crescimento e a intensificação dos movimentos sociais na cidade onde moro, no estado ao qual estou vivendo, no país ou no mundo em que estamos. A paz mundial e que os seres humanos possam existir em harmonia respeitando suas diferenças? Que a justiça social seja um direito e não um favor? Seja qual for a nossa busca precisamos lembrar que somos sujeitos da História, somos protagonistas da Existência, e como diria Mahatma Gandhi – “o futuro dependerá daquilo que fizermos no presente”.

3. O GRITO DOS EXCLUÍDOS – LAGES – SANTA CATARINA

No dia 07 de setembro de 2007, durante o desfile cívico de “independência” do Brasil, ocorreu junto ao evento a manifestação pacífica e conscientizadora dos excluídos do processo político-administrativo, sócio-econômico e cultural da nação brasileira. Foram inúmeros integrantes em todo o país que realizaram este feito que já existe desde setembro de 1995.
Em Lages pela primeira vez rompeu-se a barreira do ostracismo ideológico, contou com o apoio de várias entidades como MAB, Pastorais Sociais, ABEEF, CPT, Intersindical, MST, FEAB, Cáritas, Consulta Popular, Casa do trabalhador, PC do B, Psol, Movimento Anarquista e o movimento Punk. Assim como muitas pessoas que aderiram à passeata à medida que ela anunciava sua indignação contra o imperialismo estadunidense, contra a privatização da Vale do Rio Doce, a favor da reforma agrária urgente e efetivamente implantada, além da repulsa contra a privatização da água e o preço exorbitante cobrado pela energia elétrica.
Os movimentos anarquistas e punks fizeram uma encenação teatral sobre o imperialismo estadunidense e suas amarras financeiras contra os países da América Latina. Representantes com bandeiras pintadas ao corpo da Venezuela, Bolívia, Argentina, Chile, Brasil, México eram arrastados e surrados com uma corda como um ato da profunda e “verdadeira democracia” estadunidense.
Cartazes e faixas com dizeres de indignação contra a privatização da água que é um bem comum, público, de todos os cidadãos. Revolta contra um sistema capitalista que encontra até mesmo na água a fonte de sua permanência. Água um bem essencial para a vida, pois somos 60% do nosso corpo formado pela água. A água que gera vida esta se tornando artigo de luxo. É o cúmulo da exploração humana.
Faixas e camisetas que contestavam a atitude imprudente e repugnante de um presidente que se dizia socialista, que depredou empresas nacionais e vendeu-as por preços aquém do valor real. Um governo entreguista e reacionário que privatizou a maioria das estatais brasileiras, como mineração, energia, bancos, telecomunicações entre outras empresas com o discurso de arrecadar dólares e pagar a divida interna e externa do Brasil com credores pelo mundo. O discurso neoliberal inflamado viabilizou a venda assim como o mascaramento das suas verdadeiras intenções para com o capital estrangeiro e nacional. Pois a divida não diminuiu e os países compradores das estatais lucraram muito, ocasionando a evasão de divisas sem precedentes.
A via campesina também estava presente no evento, assim como o MST com suas bandeiras e gritos de excluídos da terra. Terra para plantar, para cultivar e alimentar. Livrar a terra dos “desertos verdes” slogan da caminhada contraria a anunciada pela data marcante de 7 de setembro a independência. Que independência é esta que a ALCA quer implantar na América Latina? A cultura dos transgênicos, onde a matriz original da planta fica no país de origem. Pois a semente transgênica é hibrida e impossível a sua fertilização. Ou as monoculturas latifundiárias tradicionais do capitalismo; por exemplo: o pinus, o eucalipto, a soja, a cana-de-açúcar, os cafezais. Para seus proprietários excelente negócio, mão-de-obra barata e desqualificada, lucros estratosféricos e conseqüentemente a pauperização do trabalhador camponês. Que alienado do mundo dos negócios e dos direitos de cidadão, levado pela necessidade de sobrevivência trabalha para o patronato sem perceber a opressão e dominação a qual esta sendo submetido.
O grito dos excluídos faz parte e luta por um ideal a ser alcançado que é a democracia participativa. Os movimentos sociais e entidades ligadas ao povo urbano e rural que busca emancipação e autonomia. Que conhece e sabe que direitos civis, políticos e sociais existem e não são efetivamente cumpridos. O grito daqueles que conhecem o artigo 5° da Constituição Federal, de 1988. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
III – ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;
XXIV – a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e previa indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;
As leis existem, porém são cumpridas de forma desigual. Mais para uma minoria de privilegiados e menos para uma maioria de segregados, excluídos e marginalizados. Reverter este processo é o principal alvo do grito. Gritar que você que esta ai parado, também é explorado e nem se da conta disso. Consentimos sem o nosso consentimento por isso a democracia tem que ter o seu papel real. Democratizar a democracia para que ela se torne participativa, para que o povo através das várias entidades e movimentos sociais existentes no Brasil e no mundo possam governar e dar novos rumos aos excluídos do sistema vigente. Pois a história é feita pelos sujeitos e estes são o resultado da história a qual escolheram viver ou deixaram de escolher, ficando apenas com o trabalho árduo de resistir, de sobreviver a um mundo desigual, onde a desigualdade alimenta o dominador, que oprime descaradamente com um discurso novo e se diz democrático liberal.

4. Considerações finais...

Assim a reflexão ora proposta nesse artigo, constitui em resultados ainda exploratórios de nossa pesquisa de Mestrado em Educação intitulada MOVIMENTOS SOCIAIS E A EDUCAÇÃO ATRAVÉS DA PRÁXIS, PÓS–DITADURA MILITAR NA SERRA CATARINENSE.
Sabe-se, contudo, que muitas informações e debates presentes nestas narrativas necessitam de um maior aprofundamento conceitual em Educação Popular em virtude de sua trajetória e acumulação de estudos. Por outro lado, para o nosso território estas reflexões são de pouco acesso aos educadores e aos movimentos sociais, por isso nosso atrevimento em partilhar esta experiencia em construção.

Bibliografia

CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 7ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

FREIRE, Ana Maria Araújo. (ORG.). Pedagogia da Tolerância. São Paulo: Ed. da UNESP, 2005.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1986.

_____________ Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2001.

_____________ Pedagogia do Oprimido. 45ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2007.

_____________ Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 35ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2007.

Revista Brasileira de Educação. Trabalho e educação: fundamentos ontológicos e históricos. Dermeval Saviani. v. 12 – n° 34 jan./abr. 2007.

STRECK, Danilo R., EGGERT, Edla. SOBOTTKA, Emil A. (orgs.) Dizer a sua palavra: educação cidadã, pesquisa participante, orçamento público. In: STRECK, Danilo R. Pesquisar é pronunciar o mundo. Pelotas: Seiva, 2005.

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